domingo, 16 de junho de 2013

Carta Aberta

Agora você pode ter certeza: não volta. O beijo não dado tem mais sentido. O abraço guardado não tem mais motivo. O palavrão engolido não quer dizer mais nada. Não Volta, você cansou de ouvir, mas só agora pode ter certeza. A chuva nunca mais fez o mesmo desenho no vidro. O mar nunca mais a mesma pose para a fotografia. Sua música preferida só tocou no momento certo daquele dia. O poema deixado para depois, hoje, não vale mais nada. Há rimas que mofam. Que perdem o significado. Consegue entender? agora , acredita? não era auto ajuda barata. Previsão de cigana mentirosa. Horóscopo de jornal vagabundo. Conselho de velho morrendo. Carta falsa de tarô. Não volta mesmo. e espero que na cópia desta mesma carta a ser aberta, novamente, daqui a dez anos, seja menor o arrependimento. Estão lacrados os próximos envelopes. Lambidos. Selados. trancados, mas eu já aviso: dentro deles, o mesmo texto. Não volta - Tatue no braço. Grude post-it. Escreva com carvão nas paredes. Com as unhas compridas arranhando a terra: Histórias de verdade não se rebobinam.