NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Educação, Ciência, Tecnologia, Literatura Marginal, teatro Experimental, música Underground e cinema de arte para mitigar minha existênciazinha perva, psicologia junguiana no meio disso tudo; filosofia e imoralidade; alguns fetiches (leves e incruentos); um pedaço e um corte de cetim...
Há tanto tempo não usado, encontrei o amor, sem querer. Ontem jogado embaixo da cama. Empoeirado. Sem caixa, bula, manual. Um amor, assim, abandonado. Sujo. Rasgado. Fóssil soterrado. Navio afundado há anos. Casarão com tábuas pregadas nas janelas. Lençóis brancos sobre os móveis. Um amor acostumado com o escuro. Com o frio do quarto fechado. Com a passagem rápida de um inseto no meio da madrugada. Um velho amor largado, pronto para ser reciclado. Procurado por toda casa nos lugares errados. Nos armários limpos. Entre taças, louças. Dentro de caixas fechadas com laços. Sob tapetes varridos. Cantos desinfetados. Um amor chamado no grito. No gemido da febre. No cochicho da oração.um amor sumido. Necessitado. Um amor que apareceu quando quis. De repente. Em um lugar inesperado. Há tanto tempo não usado, eu, ontem, tropecei no amor. Empoeirado. Sujo. Rasgado. Abandonado debaixo da cama. Um amor que talvez nem funcione mais.
Coleciono rancores. Desejos coisas ruins, Cuspo na maioria dos pratos que já mataram minha fome. Gosto da Inveja, da cobiça, de planos mirabolantes para destruir o que precisa ser derrubado. As peças inúteis que obstruem caminhos no tabuleiro onde sobrevivo. Eu: acho o amargo o melhor que o doce. A vingança mais sábia do o perdão. O Olho por olho mais justo do que a inocência ridícula da compaixão. Eu falo trás esquentando orelhas. Beijos faces indigestas com a doçura de Judas. Escondo raiva atrás dos silêncios, o ódio debaixo dos sorrisos. As facas afiadas nas mãos de trás. Há anos envio buquês que escondem plantas carnívoras. Cartas com artefatos explosivos. Flores de mentira que expiram água no meio das caras. Gosto da umidade das cavernas. Do escuro dos quartos fechados. Do silêncio das ruínas. Do Vazio das gavetas mofadas. Eu: preciso do sossego do meu ninho. Das outras cobras perigosas. Eu: se for cutucado, aviso: não há antídoto para o meu tipo de veneno.