sábado, 13 de junho de 2009

Jack London

Se Jack London foi um dos maiores, mais influentes e mais prolíficos escritores norte-americanos mesmo vivendo apenas 40 anos, deve-se a isso à sua fantástica história de vida. John Griffith Chaney nasceu no dia 12 de janeiro de 1876 e teve uma vida marcada por acidentes e fatos incríveis e soube reproduzi-las perfeitamente em seus inúmeros escritos. Não é à toa que London é um dos grandes ídolos de outro mito norte-americano da literatura, Jack Kerouac.

A vida de London é marcada de mistérios e dúvidas. A primeira dela é sobre seu pai. Até hoje seus biógrafos brigam para determinar quem é o verdadeiro pai de London. Apesar de ter o sobrenome de William Chaney, um dos mais renomados astrólogos da época, há fortes indícios de que ele não seja seu pai, de fato. Tudo por causa de uma suposta carta que o próprio William teria enviado ao jovem Jack, em 1897, dizendo que não poderia ser seu pai por ser "impotente" enquanto viveu com a mãe do escritor, Flora Wellman. E com o grande terremoto que assolou a cidade no ano de 1906, boa parte dos documentos da cidade foram destruídos e a dúvida ainda permanece. Assim, como há a dúvida se Jack foi realmente registrado com tal nome. Mas, segundo o biógrafo oficial de London, Clarice Stasz, antes de morrer Chaney se referia a Flora como sua esposa (se casaram ou não é uma outra dúvida igualmente jamais esclarecida) e dizia que ela própria se considerava "Florence Wellman Chaney".

Apesar disso, Jack sempre se mostrou uma criança independente, inteligente e curiosa, apesar da vida difícil em Oakland, cidade próxima a San Francisco. Jack praticamente se auto-educou e descobriu a paixão pela leitura após ler o romance Signa, de Ouida (pseudônimo da escritora vitoriana inglesa Maria Louise Ramé, ou Maria Louise de la Ramée, como preferia ser chamada). Segundo Jack, foi esse livro que o fez sonhar em ser escritor.

Após se formar na escola de gramática em 1889, Jack começou a trabalhar em uma fábrica de conservas em uma jornada desumana, que durava de 12 até 18 horas diárias. Desesperado para fugir dessa situação, Jack conseguiu um dinheiro emprestado com sua mãe negra de criação, Jennie Prentiss, e comprou um barco de um pescador de ostras chamado French Frank e começou a viver das ostras. Após acusar a amante de French Fark, Mamie, de tê-lo roubado e ter perdido seu barco, Jack mudou de lado e foi trabalhar como patrulheiro de pesca da Califórnia.

Em 1893, ele desistiu de tudo e foi viajar para o Japão como marinheiro e quando voltou à América viu o país em uma de suas maiores crises econômicas. Acabou aceitando um de seus piores trabalhos, em um fábrica de juta, e também em estradas-de-ferro. A terrível época na fábrica de juta - dez horas por dia a dez cents a hora durante oito meses - seria retratado no conto The Apostate (O Herege), de 1906 e que foi usado na luta para a abolição do trabalho infantil nos Estados Unidos. Depois disso, desistiu e foi viver como vagabundo. Por causa disso, pegou 30 dias de cadeia em Buffalo. Inspirado nisso escreveu os contos Pinched (Na Gaiola) e The Pen (A Prisão).

Tanto a luta na fábrica de juta como a experiência na prisão está relatada no livro De Vagões e Vagabundos, uma antologia compilada por Alberto Alexandre Martins, lançada no Brasil, pela editora L&PM.

Após conhecer Ina Coolbrith, uma das mais importantes poetisas de San Francisco, na biblioteca de Oakland, resolveu terminar os estudos entrando na Oakland High School, onde começou a publicar vários artigos na revista The Aegis. Sua primeira estória foi Typhoon off the coast of Japan, onde conta suas experiências como marinheiro na Ásia. Esse conto acabaria inscrito publicado no San Francisco Morning Call, com Jack recebendo 25 dólares e aliviando sua difícil situação financeira.

London tentou desesperadamente ir para a Universidade da Califórnia e conseguiu em 1896, mas teve que deixá-la no ano seguinte por falta de dinheiro. Com isso, ele jamais se formou e, segundo seus biógrafos, London não publicou escrito algum nesse período.

Quando os estudos fracassaram, Jack e seu cunhado, James Shepard, resolveram aderir à febre da corrida do ouro, no Klondike (Alasca), que seria palco de vários romances seus. Mas London jamais ficou rico e ainda deteriorou consideravelmente sua saúde com a vida insalubre de garimpeiro. Foi ali que contraiu escoburto, perdendo os quatro dentes da frente de sua boca, além de terríveis dores em seu abdome e em suas pernas. Mas graças ao padre William Judge, o "Santo de Dawson", London pôde se recuperar. Por uma ironia da vida, o ateu London havia sido salvo por um padre jesuíta.

Depois disso, ele conheceu o poeta George Sterling. Fizeram uma grande amizade e ele ajudou Jack a encontrar uma casa nos Piemontes. Jack o chamava carinhosamente de "Grego" e o retratou na novela Martin Eden (1909), na pele do personagem de Russ Brissenden e como Mark Hall na novela The Valley of the Moon (1913).

London acabou se tornando um socialista convicto, e lutava contra a febre capitalista que varria a América. Ironicamente, London começou a fazer muito dinheiro publicando suas fantásticas histórias em revistas de baixo custo, tornando-se um verdadeiro sucesso. Em 1900 ganhou 2000 dólares - cerca de 80 mil nos dias de hoje - tornando-se um grande nome. Anos depois, London disse que "literalmente a literatura salvou minha vida".

Em 1901 concorreu ao cargo de prefeito em Oakland, recebendo 245 votos. Em 1902 publica To Build a Fire. Em 1903 fez ainda mais sucesso com o livro Um Chamado da Floresta, contando a história de um cachorro Buck, que é roubado de sua vida doméstica na Califórnia e enviado para o Alasca, para trabalhar. London faz um comovente e brilhante perfil psicológico do animal e da vida humana pelos olhos de um cão. Em 1904 publica uma de suas mais famosas e clássicas histórias, O Lobo do Mar, que conta à história de um brutal comandante de navio, Lobo Larson. Inspirado nas idéias de Karl Marx, Charles Darwin e Nietzsche, London compõe um romance de imenso fundo psicológico.

Paralelamente ao sucesso, London se casou no dia 7 de abirl de 1900 com Bess Maddern, com quem teve uma vida atribulada e confusa. Bess foi retratada como uma criatura má, imoral e vingativa, embora muitos assegurem que ela tenha sido uma ótima esposa e colaboradora, trabalhando muitas vezes como revisora de seus escritos.

Com ela, Jack teve duas filhas - Joan (nascida em 15 de janeiro de 1901 e Bessie (nascida em 20 de outubro de 1902). Jack a deixou no dia 24 de julho de 1903 e no ano seguinte negociaram os termos do divórcio. Depois disso, Jack voltaria a se casar, com Charmian London, com viveria até sua morte).

Jack ainda se viu envolvido em acusações de plágio durante sua carreira e até de racismo, mas nada disso conseguiu ofuscar seu brilho, que ainda tentou, mais uma vez, ser prefeito em Oakland, em 1905, recebendo desta 981 votos.

E, como tudo em sua vida, a morte de London é cercada de mistérios. Embora descrita como suicídio, muitos acreditam que foi apenas um terrível incidente. Extremamente debilitado fisicamente desde os tempos de Klondike, London havia contraído uma uremia, que lhe causava dores insuportáveis. Como forma de alívio, London fazia uso de morfina e muitos acreditam que, acidentalmente, tenha tomado uma dose maior do que estava acostumado. Jack London foi encontrado morto no dia 22 de novembro de 1916, com 40 anos. Há ainda quem acredite que London se suicidou, já que ele tratou do tema em vários escritos.

O corpo de Jack London foi cremado e hoje suas cinzas repousam ao lado de sua esposa Charmian, no Jack London State Historic Park, em Glen Ellen, Califórnia. Consta que deixou uma biblioteca particular monstruosa, com aproximadamente 15 mil títulos.

Alcoólatra assumido (escreveu um belo texto sobre sua dependência, John Barleycorn, usado até hoje pelos Alcoólicos Anônimos como modelo) e mulherengo, Jack London foi um dos mais espetaculares romancistas e novelistas de todos os tempos e colocado ao lado do poeta Walt Withman por sua luta contra o capitalismo, a paixão pelo socialismo e pelas causas sociais. É dono de uma extensa obra, largamente adaptada para o cinema e teatro. London foi fonte direta de inspiração para os escritores beat. Afinal, 50 anos de Kerouac, Ginsberg e demais, London já tinha feito toda as viagens e acumulado todas as experiências possíveis a um homem.
Romances

A Daughter of the Snows (1902) *(A Filha da Neve)
Children of the Frost (1902)
The Call of the Wild (1903) *(O Chamado da Montanha)
The Kempton-Wace Letters (1903, co-autoria com Anna Strunsky)
The Sea-Wolf (1904)*(O Lobo do Mar)
The Game (1905)
White Fang (1906) *(Caninos Brancos)
Before Adam (1907)
The Iron Heel (1908) * (O Tacão de Ferro)
Martin Eden (1909) *(Martin Eden)
Burning Daylight (1910)
Adventure (1911) *(A Aventureira)
Smoke Bellew (1912)
The Scarlet Plague (1912) *(A Praga Escarlate)
The Abysmal Brute (1913)
The Valley of the Moon (1913)
The Mutiny of the Elsinore (1914)
The Star Rover (1915) (published in England under the title "The Jacket") * (O Andarilho das Estrelas)
The Little Lady of the Big House (1916)
The Turtles of Tasman (1916)
Jerry of the Islands (1917)
Michael, Brother of Jerry (1917)
Hearts of Three (1920) (romance feito em cima de um script de cinema de Charles Goddard)
The Assassination Bureau, Ltd (1963) (inacabada e completeda por Robert Fish

Memórias autobiográficas

The Road (1907)
John Barleycorn (1913)

Ensaios

The People of the Abyss (1903) *(O Povo do Abismo - Fome e Miséria no Coração do Império)
Revolution, and other Essays (1910)
How I became a socialist (contido em De Vagões e Vagaundos)

Contos

"Diable-A Dog"
"An Odyssey of the North"
"To the Man on Trail"
"To Build a Fire"
"The Law of Life"
"Moon-Face"
"The Leopard Man's Story" (1903)
"Love of Life"
"All Gold Canyon"
"The Apostate" (contido em De Vagões e Vagabundos)
"To Build a Fire"
"The Chinago"
"A Piece of Steak"
"Good-by, Jack"
"Samuel"
"Told in the Drooling Ward"
"The Mexican"
"The Red One"
"The White Silence"
"The Madness of John Harned"
"A Thousand Deaths"
"The Rejuvenation of Major Rathbone"
"Even unto Death"
"A Relic of the Pliocene"
"The Shadow and the Flash"
"The Enemy of All the World"
"A Curious Fragment"
"Goliah"
"The Unparalled Invasion"
"When the World was Young"
"The Strength of the Strong"
"War"
"The Scarlet Plague"
"The Red One"

Teatro

The Acorn Planter: a California Forest Play (1916)

Mais uma de Morrissey



Há certas músicas que não ouvimos há muitos e muitos anos, e de repente, na noite e no local mais improvável, ouve-se uma... e toca-nos.
Everyday Like is Sunday (Letra)

Trudging slowly over wet sand

Back to the bench where your clothes were stolen

This is the coastal town


That they forgot to close down


Armageddon -

come Armageddon!

Come, Armageddon!

Come!


Everyday is like Sunday

Everyday is silent and grey

Hide on the promenade

Etch a postcard :"How I Dearly Wish I Was Not Here"In the seaside town...that they forgot to bomb


Come, Come, Come - nuclear bomb

Everyday is like Sunday


Everyday is silent and grey

Trudging back over pebbles and sandAnd a strange dust lands on your hands


(And on your face...)

(On your face ...)

(On your face ...)

(On your face ...)

Everyday is like Sunday

"Win Yourself A Cheap Tray"

Share some greased tea with meEveryday is silent and grey

O que há entre a escrita de Charles Bukowski e a arte de Robert Crumb?

Es tan fácil ser poeta y tan difícil ser hombre. (Charles Bukowski)

Traço sujo. Detalhes em exagero: tipo, azeitona que apodrece sobre o mofo do que um dia foi um drinque. Isso é Crumb, para mim, bien sûr. Para mim, que leio Bukowski e me babo pela maneira simples, direta, dura, podre no sentido sincero do coração de um homem - apenas um homem.

Isso faz lembrar que este mesmo homem, o Buk, velho Buk, foi encontrado [por si mesmo] sobre uma lata de lixo, todo vomitado, um rato passeando sobre a perna, numa clássica manhã de ressaca.

Buk: Parte da geração beatnik, mas à parte: ele, o eterno marginal.

O Charles "Hank" Bukowski era alemão: nasceu em Adernach e o pai era americano, primeiro sargento. A mãe, alemã. Diz que o pai era muito feio. Aos três anos, mudou-se com a família para os EUA, para o East Holywood, condomínio moquifento de baixa renda, periferia de Los Angeles. Ali conheceu a miséria. Abusos do pai, alcoólatra. Depois de terminar o segundo grau, estudou jornalismo durante algum tempo no L.A. City College, mas abandonou o curso em 1941, antes de conseguir qualquer graduação. Escolheu a vida bêbada e itinerante, pulando de um emprego para o outro. Em 1956, resolveu dar um tempo: aceitou trabalhar nos correios, lugar que serviu de inspiração para o seu primeiro livro de prosa, "Cartas na Rua" (1971). Mas Bukowski foi também um puta poeta, e publicou diversos livros de poesia. Olha só:

<< Play the piano drunk like a percussion instrument
until the fingers begin to bleed a bit 40,000 Moscas>>

Separados por uma tormenta passageira nos juntamos novamente. Buscamos rachaduras em paredes e tetos e as eternas aranhas. Me pergunto se haverá uma mulher mais. Agora 40,000 moscas encontram os braços de minha alma cantando: "I met a million dollar baby in 5 and 10 cent store" Braços de minha alma? moscas? cantando? que classe de merda é esta? É tão fácil ser poeta e tão difícil ser homem."

Homem de vícios, esse Buk. No traço de Crumb, sua cara de ressaca fica ainda pior, as bitucas de cigarro quase exalam seu fedor.

Os vícios: corridas de cavalos, Jack Daniel's, cerveja, cigarros e mulheres, mais ou menos na ordem em que aparecessem em sua frente. Apesar de estar bêbado em praticamente quase todos os momentos de sua vida, foi um homem tão lúcido quanto pode sê-lo um escritor americano que manda às favas o sistema, foi insano em maneiras de viver a vida, tragá-la como um gole de uísque, até a última gota.

Mesmo com a fama já fazendo-lhe calos à imagem, "Hank" não abriu mão dos caprichos, não deixou de freqüentar os botecos, de ir ao cinema ou de resmungar ao amarrar os sapatos pela manhã; não abriu mão de seu amor aos gatos, às boas coisas que o dinheiro traz e que leva embora sem dar satisfação; mas, principalmente, não abriu mão nunca de escrever: como respirar, dormir, comer. Escreveu feito um faminto ensandecido diante de um carneiro assado se atira à refeição, escreveu sempre, enquanto esteve com os olhos abertos.

<<>> (C. B.)

Na medula, sem floreios ou eufemismos: as mulheres de bundas e peitos rechonchudos, como se estourando de leite, ar vulgar, a boca aberta num sorriso sacana - isso fecha perfeito com o traço das idéias do velho safado. Quem é quem? Não posso lembrar de Buk sem trazer junto Robert Crumb, ou o contrário. Se o mundo bizarro das corridas de cavalos, da noite de Nova York, ou do cotidiano simples de uma mente inquieta, se todo esse material precisou dos dedos e da imaginação de Buk para existir para todos nós, Crumb cristalizou a nanquim a imagem do escritor.

Não conheço as mulheres de Crumb, o imaginário desse artista além-Buk. Uno ambos como se um sem o outro fosse um corpo sem braço. Ou como uma história do próprio Charles Bukowski sem um palavrão.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Poema do Contra


Ei, vocês todos ai, que estão atravancando o meu caminho.....

Vocês Passarão.....

e Eu passarinho.

"Mário Quintana"

Free Last.... (Livre, Afinal...)



Ultimamente, não estou dispondo de tempo para continuar postando diariamente, detesto ter que trabalhar, sou adepto da filosofia malandra do seu madruga que termina no aforismo: " Não existe trabalho ruim, ruim é ter que trabalhar". Mas, infelizmente.... Infelizmente.

Trago aqui, uma libélula dos direitos civis, toda vez que leio, me emociono muito, isso ainda me dá esperança um mundo melhor. Leiam e reflitam, também.

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

“Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchado nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição”.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.

Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.

Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.

Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora esteja contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixou marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Vocês são os veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

terça-feira, 19 de maio de 2009

Histórias de Vampiros


Ontem, não fui trabalhar, estava com uma puta dor de dente, algo que algum tempo tem se tornado constante, pois esse maldito medo que tenho de dentista, me perseguindo desde a infância. A Julgar que não é o único medo que me persegue, posso simplesmente falar de fantasmas, espiritos, da minha vizinha baranga e muitos outros medos. Acredito que de tanto ter medo acabo concluindo que não tenho medo de nada.


Falando em medos, chegou em minhas mão um livros sobre vampiros, estava em minha estante, todo empoeirado, até parece que esse livro pertencera a biblioteca de um conde falido de linhagem milenar, de tão empoeirado que estava. Portanto o texto de hoje, vem justamente falar dessa figura mitica dos vampiros, tão misteriosa e encantadora que resigno-me a falar.


A palavra Vampiro surgiu por volta do século XVIII. Tem origem no idioma sérvio como Vampir, e sua forma básica é invariável nos idiomas tcheco, russo, búlgaro e húngaro.

Lendas oriundas da Eslováquia e da Hungria estabelecem que a alma de um suicida deixava seu sepulcro durante as noites para atacar os humanos, sugava o sangue e retornava como morcego para o túmulo, antes do nascer do sol. Assim, suas vítimas também se tornavam vampiros após a morte. As civilizações da Assíria e Babilônia, também registram lendas sobre criaturas que sugavam sangue de seres humanos e animais de grande porte. Outros mitos pregam que as pessoas que morrem excomungadas tornam-se mortos-vivos vagando pela noite e alimentando-se de sangue, até que os sacramentos da Igreja os libertem. Crianças não-batizadas, e o sétimo filho de um sétimo filho também se tornariam vampiros.

O lendário Livro de Nod narra a origem dos vampiros. Além de A Crônica das Sombras revelando os ensinamentos ocultos de Caim; e A Crônica dos Segredos que revela os mistérios vampíricos.

A tradição judaico-cristã, prega a origem dos vampiros associados aos personagens bíblicos Caim e Abel. Como é descrito no Livro de Nod, Caim foi amaldiçoado por Deus pelo assassinato de seu irmão, Abel. Os Anjos do Criador foram até ele exigir que se redimisse. Orgulhoso, recusou-se e acatou as punições impostas pelos Anjos. A partir deste momento, Caim via-se condenado à solidão e vida eterna, temendo o fogo e a luz, longe do convívio dos mortais.

Caim foi anistiado por Deus após sofrer durante uma era inteira. De volta ao mundo terreno dos homens, fundou e fez-se rei da primeira cidade chamada Enoque. Mas ainda temia a luz, o fogo, e a solidão da eternidade.

Passado-se muitos anos de prosperidade em Enoque, Caim ainda sentia-se só devido a sua imortalidade. Abatido e desmotivado, acabou por cometer outro grande erro: gerou três filhos, que posteriormente geraram outros. Seguiram-se tempos de paz até que chegou o grande dilúvio e lavou toda a Terra. Na cidade de Enoque, sobreviveram apenas Caim, seus filhos, netos e uns poucos mortais. Caim recusou-se a reconstruir a cidade, pois considerava o dilúvio um castigo divino por ter subvertido as leis naturais e gerados seres amaldiçoados como ele. Assim, sua prole reergueu Enoque e assumiu o poder perante os mortais.

Após um período de paz e prosperidade, os sucessores de Caim passaram a travar batalhas entre si. A autoridade dos governantes foi revogada, e tanto os mortais como os membros da prole sentiam-se livres para fundar outras cidades e tornar seu próprio rei. Dessa forma, os imortais ascendentes de Caim, espalharam-se por toda a Terra.

Nesta versão da origem dos vampiros, vimos que tudo teve início com uma maldição divina atribuída a Caim, e depois herdada por sua prole. Porém, torna-se muito difícil estabelecer um limite entre os fatos e as lendas que circundam o mito vampíricos, já que boa parte destas informações confunde-se entre os relatos e pesquisas históricas coerentes, com a ficção dos filmes e RPG’s.

Na lenda de Caim, a conotação do termo Vampiro ainda está ligada apenas ao sentido de imortalidade, solidão e aversão a luz. A relação estabelecida entre a longevidade e a sede pelo sangue (que caracteriza a imagem mais comum dos vampiros), deve-se possivelmente, a personagens lendários que viviam anos incalculáveis alimentando-se de sangue humano, após terem firmado supostos pactos com entidades malignas. Outras versões são encontradas em diferentes culturas, e todas combinam fatos históricos com a crendice regional. Portanto, a maior parte dos povos possui uma entidade sobrenatural que se alimenta de sangue, imortal e considerada maldita. O mito do vampiro é um ponto comum entre várias civilizações desde a Antigüidade.

Uma das maiores referências do mito vampírico é o sanguinário Vlad Tepes (ou Vlad III), que existiu realmente no século XV na Transilvânia. Porém, ele governou apenas a Valáquia, que era uma região vizinha. Apesar da crueldade extrema com os inimigos, Vlad III não possuía nenhuma ligação com os vampiros. O termo Drácula (Dracul, originalmente significa Dragão) foi herdado de seu pai, Vlad II, que foi cavaleiro da Ordem do Dragão. Provavelmente, a confusão se deu através da semelhança entre os termos Drache, que era o título de nobreza atribuído à Vlad II, e Drac que significa Diabo.

A relação entre Vlad III e o mito vampírico foi dada pelo escritor Bram Stocker. O autor de Drácula inspirou-se (provavelmente) nas atrocidades cometidas por Vlad III, e as incorporou em seu personagem principal. A partir deste momento, Vampiro e Drácula tornaram-se praticamente sinônimos na literatura e nas crenças populares.

No Brasil também se encontra mitos relacionados aos vampiros e outros seres semelhantes. Neste caso, os registros entrelaçam-se com o rico folclore das várias regiões do país. Desde os centros urbanos, até as áreas menos desenvolvidas do Brasil, é comum ouvir-se relatos dos ataques sanguinários de criaturas que perambulam pelas madrugadas. Na maioria das vezes, essas histórias assemelham-se muito com as lendas européias.

Na mitologia indígena existe o Cupendipe, que apesar de não possuir a sede de sangue caracterizada pelos vampiros, possui asas de morcego, sai de sua gruta apenas durante a noite e ataca as pessoas usando um machado.

No nordeste brasileiro conta-se a história do Encourado. Um homem de hábitos noturnos, que usa trajes de couro preto, exalando um odor de sangria. O Encourado ataca animais e seres humanos para sugar-lhes o sangue. Prefere as pessoas que não freqüentam igrejas. Porém, os habitantes das cidades por onde o Encourado passa, oferecem-lhe os sacrifícios de criminosos, crianças ou animais de pequeno porte.

Em Manaus, há relatos da presença de uma vampira que atacava os moradores, sugando o sangue através da jugular e deixando marcas de dentes em suas vítimas, exatamente como é contada nos cinemas. Após os ataques, a vampira corria em direção a um rio e transformava-se em sereia, desaparecendo na água. A Vampira do Amazonas possui a capacidade de transmutar-se e força física descomunal.

Em maio de 1973 no município paulista de Guarulhos, foi encontrados o corpo de um rapaz com as perfurações características em seu pescoço. Esse é apenas um exemplo da hipotética ação de vampiros em zonas urbanas. Neste caso, os relatos transcendem a fronteira da boataria e do folclore.