sábado, 16 de maio de 2009

Eis os Caras Bukowski x Kerouac


Nosso amigo Bukowski, C., nasceu no dia 16 de agosto de 1920 em Andernach, na Alemanha, filho de um soldado americano e uma mãe alemã e mudou-se para os EUA com três anos de idade. Cresceu em Los Angeles e lá viveu durante 50 anos. Publicou seu primeiro conto em 1944, com 24 anos de idade, e começou a escrever poemas com 35. Morreu em San Pedro, Califórnia no dia 9 de março de 1994 com 73 anos, pouco depois de ter terminado seu último romance: Pulp (1994).

Foi um outsider na visão de acadêmicos e literários, publicando seus livros e poesias, em geral, como uma literatura alternativa, cult. Nos seus livros mais importantes (Misto Quente, Notas de um Velho Safado, A mulher mais linda da cidade, etc.) adota um alte-ego, chamado Henry Chinaski. Um velho que vive sempre bêbado e na pindaíba mas que retrata a vida com o olhar sincero da ressaca. Em seus romances e poesias, usa de uma linguagem despreocupada com a polidez e cheia de frases de impacto, como no livro "A mulher mais linda da cidade" quando pergunta a um corno o que são um cú e uma buceta. E responde com categoria: nada além disso, são somente um cú e uma buceta. Ou seja, meu amigo... relaxe e goze. Como diria nossa ministra filha da puta do turismo, Marta Suplicy.

Já o nosso amigo Kerouac, J., nasceu em 1922 (1922-1969) e foi o cara que criou o estilo "beat". É considerado por muitos o profeta da geração "beat" e ficou famoso por romper os conceitos conservadoristas da década de 50 nos Estados Unidos. O sua maneira de escrever ganhou fama por ser do tipo viva e relate (sketching) e por viver uma forma de vida pouco convencional, como atravessar os Estados Unidos com alguns dólares no bolso e sair pedindo carona. Dessa maneira de viver foi que nasceu o aclamado "On the Road" (Pé na estrada) que narra suas aventuras com seu amigo Neal Cassidy numa travessia Norte-Americana. Sua linguagem é espontânea e expressa o descontentamento de sua geração e suas características marcantes: romantismo, exaltação da natureza, uso de drogas e celebração da vida livre dos condicionamentos sociais da classe média.

Kerouac, se comparado ao velho Bukowski, seria um coxinha. Embora ambos tratem de assuntos pessoais (autobiográficos) a visão de Bukowski de mundo é uma visão mais suja e dura, relatada numa poesia Boca-Dura. Já Kerouac, é muito mais light em suas autobiografias e tem uma visão de mundo mais positivista e conservadorista; mesmo falando de drogas e bebidas embaladas no ritmo frenético do Jazz (ainda com resquícios do swing). Kerouac é poético por demais -mas quero salientar que eu adoro a literatura dos dois- mas não é tão visceral quanto o velho safado. Para pintar um quadro melhor da comparação entre os dois, se Tyler Durden (do Clube da Luta) existisse o héroi dele seria, sem sombra de dúvidas, Bukowski. Assim meus amigos, sabemos agora o porquê de Bukowski ser um "Outsider" e Kerouac o "queridinho" da América. Kerouac falava da vida sobre uma óptica "La vien rose" enquanto que Bukowski enchergava a vida como ela é, com decepções, conquistas efêmeras e muita sujeira. Os dois são extremamentes recomendados. Vale a pena conferir.

Um comentário:

  1. Muito boa analogia sobre esses dois gigantes da contracultura americana. Realmente Kerouac libera poesia em seus parágrafos, enquanto Buk libera uma prosa seca e crua. Contudo ambos escrevem de forma densa e crua, obviamente cada um do seu jeito. Porém Kerouac, ultrapassou os limites da literatura vanguardista da época e acho que até hoje quando escreveu Visions of Cody. Apesar de On The Road ser o seu livro mais celebrado, ele foi tão reeditado, que ficou sem a "prosa espontânea" que é característica inerente e indispensável de Kerouac. Em Visions ele extrapola essa técnica, levando o leitor se deleitar com parágrafos que explodem na sua frente, parágrafos de delírio onírico com efeito anestésico. Com isso esgota a estrutura cognitiva de quem está lendo. Digo isso porque falam muito de On the road, quando, na verdade, segundo os próprios poetas e escritores beat, afirmam que Visions of Cody é uma viagem sinistra na mente maluca de Neal Cassady, o anti herói de on the road.

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